domingo, 21 de junho de 2009

Midsommar

Alegrem-se aqueles que, de uma forma ou de outra, seguem este patético blog, e todos aqueles que o não fazem. Esta será certamente uma das últimas vezes que aqui escrevo sobre a minha estadia além fronteiras. A escrita continuará em mim, mas por vias que mais me apaixonam.


A Suécia em geral, e Estocolmo em particular, não são apenas possuidores de características negativas. Que o frio ataca os ossos dos menos aptos dia após dia durante os longos meses de inverno, já não é nenhuma novidade. Que as longas noites nos fazem cogitar pelos longos dias que tardam em chegar, também não é novidade. Mas talvez não saibam que durante os quase eternos dias que visitam Estocolmo por esta altura do ano, esta cidade torna-se, sem dúvida, uma das mais belas cidades do mundo! Não que eu tenha tido o privilégio de as visitar a todas, longe disso. Mas esta... talvez por ser hoje "minha", tem um encanto tal que só por isso vos convido a visitar.


O dia de hoje, o mais longo do ano e ao qual o povo escandinavo tem um apreço tal que jamais caberá na imaginação de um qualquer imigrante sul-europeu, foi passado em passeio. O país pára neste, que é o deles, fim de semana. As ruas enchem de alguém vindo de qualquer lugar. Que importa de onde vêm, se a finalidade é a mesma? Que importa que aqui fazem, se tudo o que os rodeia aqui de novo ficará para receber os próximos aventureiros?

O simples deambular pelas ruas da cidade, onde a calçada preenche os espaços entre becos e vielas da zona antiga, toda ela banhada pelo enorme arquipélago ao largo da cidade, traz emoções que jamais se esquecerão. Os ternurentos raios de sol que nos banham a face e levam ao transparecer do mais simples sorriso, por entre lagos, jardins e uma panóplia de animais selvagens talvez hoje mais cosmopolitas que selvagens, são momentos sentimentos que nos fazem fãs da simplicidade da vida.


As águas que outrora foram um duro bloco de gelo, são hoje vias rápidas para tudo o que é embarcação. Dos simples kayaks aos robustos iates, passando pelos veleiros, motos de água e outros que tais, todos eles preenchem os leitos que se estendem além mar. Dos mais novos brincalhões aos mais velhos, amigos, casais, namorados de longa data que apreciam como ninguém aquilo que hoje possuem, todos sentem a felicidade que antes se escondera do clima, e hoje transparece ao largo do cais, onde os mais afoitos balançam os pés na gélida água do Báltico.


Nada de Natal ou de dia Nacional. O dia dos suecos é este: midsommar! Um gosto especial que só eles possuem, que nada nem ninguém lhes vai tirar enquanto aqui estiverem e que, de uma maneira ou de outra se lhes assenta no hino: Ja, jag vill leva jag vill dö i Norden! - Sim, eu viverei e morrerei no norte!


Aquele abraço!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Skansen

Apesar de os dias suecos serem ainda algo cinzentos nesta altura do ano (e vocês todos contentes porque em Portugal já há muito que faz um sol lindo e temperaturas de verão), a semana que passou foi levada em descanso e felicidade com a visita da "minha" Mafalda.

E mesmo com todos os seus "amigos" meio carrancudos por perto, o sol fez questão de dar um ar da sua graça, e tornou esta última semana ainda mais marcante.
A semana passou depressa, pois então, mas houve ainda tempo para dar um salto áquele que foi o primeiro museu ao ar livre do mundo - Skansen. É parte de uma grande ilha de Estocolmo que foi outrora uma coutada real, onde o rei sueco se deliciava a caçar renas e alces, entre outros animais. Hoje, vivem nelas diversas espécies animais que vão desde o lobo aos ursos, passando por alces e ainda mesmo focas leopardo.

Para além dos animais, estão ainda espalhadas pelo enorme espaço diversas habitações típicas de vários pontos da Suécia, assim como uma pequena aldeia com padaria, ferreiro e vidreiro, entre outros.

No verão, quando o tempo o permitir e a vegetação der um novo encanto a este espaço, voltarei com mais e melhores imagens. Sem esquecer o pequeno oceanário também lá existente...

Bem haja! Aquele abraço!

segunda-feira, 23 de março de 2009

A hora da Terra

Para quem não sabia (e eu era um deles), o próximo domingo dia 28 de Março tem uma hora especial - a hora da Terra! A informação é dada aos consumidores suecos nada mais nada menos do que nas embalagens de leite. Elas que, diariamente, alteram a face posterior com diversos artigos informativos, ora relativos à natureza ou a acontecimentos históricos, são hoje totalmente negras e trazem a seguinte mensagem, para um reduzido consumo energético durante esta mesma hora. 

Um modo, a meu ver, de chamar facilmente a atenção de toda a população. Afinal de contas, as notícias de um país e do mundo não vêm sempre em jornais desportivos, ou jornais diários que só apregoam desgraças na hora de venderem o seu nome...

Um bem haja a todos! Aquele abraço!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Entre Gregos e Troianos

Faz hoje uma semana andava eu em solo Grego. Vista dos céus, Atenas é linda. Toda a área circundante é um autêntico relevo. Planaltos, colinas e pequenos vales cobertos de verde, que se juntam em escarpas que mergulham no mar. Uma paisagem mediterrânea que há muito não via!

Já em terra, não foi de estranhar que o primeiro grande edifício a caminho da cidade tivesse gravadas as letras "IKEA" (eles andam aí...). O diferente alfabeto faz com que todas (ou quase todas) as placas e mapas venham acompanhadas de tradução em Inglês, o que facilita bastante a vida a um turista. E depois, olhar em volta e ver caras "familiares"... rostos mediterrâneos em tudo semelhantes ao "tuga" ou espanhol, faz-nos sentir mais à vontade.

Mas Atenas não é, de todo, um mar de rosas. Tentei, em vão, ir a pé até ao hotel onde estava hospedado. Ao nível do chão, Atenas é a cidade mais caótica que já visitei. Scooters a andar pelos passeios entre os peões é coisa, aparentemente, normal. Ainda para mais, capacetes deve ser coisa que apenas meia dúzia deles deve ter ouvido falar (apesar de ser obrigatório por lei).

A proximidade dos prédios faz lembrar um bairro antigo da nossa cidade de Lisboa. No entanto, toda a cidade é assim e, diria eu, torna-a muito diferente das restantes capitais europeias. A meu ver, algo que não a favorece. Ainda em comparação com Portugal, a constante presença de obras em redor das atracções turísticas, faz lembrar a "mui nobre e sempre leal" cidade de Évora. Algo a estamos habituados...

Felizmente, para desembassar de tudo isto, uma amiga minha lá me levou a passear e a passar um bom bocado na noite Ateniense. Apesar da bebida ser bem mais cara que em Portugal, felizmente as caras das raparigas são tão ou mais bonitas que as nossas. Apesar da curta visita, com pouca coisa vista e não tão muito agradável, quem sabe um dia lá possa voltar.

Ah!!! Tenho de dar toda a razão ao nosso querido Katsuranis. Vôos indirectos para Atenas são um transtorno enorme. Principalmente quando se tem de passar uma noite (em claro) sozinho num outro qualquer aeroporto europeu. Aquele abraço!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

domingo, 4 de janeiro de 2009

Brinde a 2009

Depois de duas maravilhosas semanas de férias em solo lusitano, rodeado da mais bela família e dos melhores amigos, nada melhor que uma "branca" recepção de -11ºC em Estocolmo!

E se os primeiros 4 dias do ano foram todos eles aquilo a que eu chamaria de "fora do normal", carregados de experiências há muito esquecidas e um positivismo constante, estou confiante que 2009 será sem dúvida um ano à minha medida: FANTÁSTICO!!



Aos meus irmãos Metralha, o desejo de um magnifico novo ano com um olhar sobre os erros do passado, um presente apaixonante, e os olhos postos no futuro! E que o arco-íris continue a aclamar a esperança depois da tormenta... Aquele abraço!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Tallinn... sob solo lusitano!

Havia um rapaz, há alguns anos atrás (e não muitos), que para fazer algo que envolvesse perguntar coisas a outras pessoas, ou o fazia pela calada, ou tinha de ir com alguém para se desenrascar. É verdade... eu era assim. Hoje, as coisas mudaram quase que radicalmente e o que vos conto a seguir é prova disso (julgo eu).

Andavamos nós pelas ruas de Tallinn ainda antes de almoço, quando uma das minhas amigas começa a dizer que se sente algo apertada para ir à casa de banho. Ninguém fez grande caso da coisa e o passeio continuou. Cinco minutos depois, volta a fazer o mesmo comentário. E a partir daí passou a ser quase de 30 em 30 segundos. Cafés à nossa volta era coisa que não havia. Mas havia algo que me fez pegá-la pelo braço e ir bater à porta de uma casa vizinha. Uma bandeira de Portugal hasteada na varanda despertou-me a atenção, e havia uma placa na parede que dizia "Consulado de Portugal".

E eis que o mesmo timido Bruno de antigamente bate à porta, e um rapaz pouco mais novo que eu espreita por entre a porta, e eu digo "Olá!". E passadas as introduções lá pedi se a pobre rapariga podia usar a casa de banho. Com um sorriso, disse-me que um português será sempre bem vindo naquela casa, e encaminhou-a à casa de banho. Restou-me agradecer pela amabilidade que os nossos compatriotas manifestam habitualmente. Muito simpático o rapazote! Ela lá se aliviou e toda contente, lá fomos o resto do caminho a rir da situação.

Mas hoje que penso nisto, só espero que a ocasião não tenha trazido nenhuns problemas para o rapaz. Como as coisas andam recentemente por esse mundo fora, bater à porta dum consulado ou embaixada só para ir à casa de banho, pode parecer algo suspeito. Ainda assim, se um amigo precisa de ajuda só para uma "mijinha", porque não dar uma mão?

Bem haja e... até breve!